Religião E Lavagem Cerebral
Técnicas de persuasão utilizadas por seitas religiosas
Site :
Universo Católico
Autor : Elbson
do Carmo
Fonte : http://www.universocatolico.com.br/index.php?option=content&task=view&id=11302&Itemid=81
Muitas vezes,
somos surpreendidos por notícias de que adeptos de determinada seita religiosa
cometeram suicídio coletivo ou que são conduzidos a desfazer-se de seus bens,
renegarem suas famílias, odiar minorias e perseguir membros de outras denominações
religiosas. Ou ainda, eleger um credo religioso como inimigo de suas crenças
- em geral, o catolicismo. Em todos esses doentios desvios de comportamento
está um componente perigoso quando usado para subjugar a consciência individual:
a doutrinação religiosa, que é o primeiro degrau do fanatismo.
Todo o processo de doutrinação dessas seitas é, em grande parte, dirigido por
técnicas de persuasão que já estão diretamente ligadas à forma de conquistar
as pessoas alcançadas por sua mensagem e, principalmente, manter sob controle
os seus adeptos, de tal forma que, mesmo inconscientemente, tais técnicas já
fazem parte da identidade dessas organizações.
Em se tratando do Brasil, que se tornou um verdadeiro paraíso para a disseminação
de novas seitas a cada dia, os fundadores dessas seitas levam para suas denominações
toda a ideologia persuasiva dos credos dos quais se desligaram, formando um
ciclo vicioso de persuasão e fanatismo. São fanáticos que geram mais fanáticos,
que por sua vez produzem mais e mais fanáticos.
Entre as técnicas existentes, as mais comuns são:
1. Uso de Estereótipos (generalizações)
2. Substituição de Nomes
3. Seleção e Indução
4. Distorções e Falsidade
5. Repetição
6. Escolha de Um Inimigo
7. A Doutrina do Medo
Cada um destes tópicos está explicado abaixo:
1. Uso de Estereótipos
O doutrinador utiliza estereótipos para criar impressões fixas sobre determinado
grupo de pessoas ou povos. Os indivíduos que compõem estes povos não recebem
julgamento em base individual, suas ações são interpretadas de acordo com as
expectativas da imagem estereotipada aplicada sobre eles (1) (2). A propaganda
incentiva o estereótipo, seja com conotações positivas ou negativas, para angariar
simpatia à mensagem propagada e criar ou aprofundar a hostilidade a outras idéias.
Como exemplos de povos quase sempre estereotipados podemos citar os judeus (sovinas),
os japoneses (só pensam em trabalho), os árabes - em geral os muçulmanos - (terroristas),
os católicos em geral (papistas, mariólatras, idólatras) entre outros.
A mais poderosa arma psicológica usada pelas seitas para incrementar o preconceito
é criar estereótipos tanto para si mesma, e seus adeptos, quanto para seus rivais.
Os líderes das seitas costumam apresentar as outras organizações religiosas
cristãs sob a pior luz possível, de acordo com sua própria interpretação particular
da Bíblia, além de uma seletiva interpretação de fatos históricos. Esmera-se
em criar estereótipos desfavoráveis com o objetivo de degradar o cristianismo
praticado por outras religiões, selecionando aspectos negativos de determinados
grupos cristãos durante a história, tal como o conflito entre católicos e protestantes
na Irlanda e as Cruzadas. E generaliza suas conclusões aplicando ao todo das
religiões cristãs – no presente e no passado – as características negativas
específicas de grupos locais ou de determinada época. Devido ao estereótipo
das demais religiões cristãs, cultivado com imagens negativas selecionadas.
Não há surpresa em verificar que os líderes dessas seitas minimizam e desprezam
qualquer boa ação da parte de cristãos individuais de outros grupos religiosos.
Para essas seitas, as demais denominações cristãs são todas igualmente más e
fazem parte de "Babilônia, a grande", o império mundial da religião falsa, nome
extraído do livro bíblico de Revelação 18:2. Somente elas possuem a verdade
"verdadeira" e devem divulgá-la aos falsos cristãos das outras denominações
religiosas, para encontrar entre eles as ovelhas perdidas, os que "amam a Deus",
livrá-los da idolatria, da infidelidade literal à Bíblia, da veneração aos santos
e a Maria.
Ainda conforme os estereótipos criados por essas seitas na mente de seus adeptos,
o ensinamento e as publicações da seita são os verdadeiros alimentos espirituais
providos por Deus. Todas as demais fontes de informação resumem-se a filosofias
e pensamentos de homens, devendo ser tratadas como tal. Estes estereótipos inseridos
nas mentes dos seus seguidores são baseados exclusivamente em informações tendenciosas,
preparadas de maneira a justificar a ascendência da seita sobre eles e assim
conduzi-los a compartilhar das mesmas conclusões propostas pelos seus líderes.
Dando a impressão de que existem "provas" apontando que sua seita e, por conseguinte,
que seus membros são os únicos "portadores da verdade".
2. Substituição de Nomes
A substituição de nomes é uma prática comum do doutrinador. Ao criar a mensagem,
o doutrinador substituirá algumas palavras por outras, que produzirão uma impressão
diversa do sentido original, com objetivo de realçar ou diminuir emoções e assim
conquistar a aceitação da mensagem pelo público-alvo. Exemplificando, para os
defensores da legalização do aborto, o bebê que a mulher grávida carrega na
barriga torna-se um "feto", pois é evidente que a morte de alguma coisa chamada
feto choca muito menos que a de um bebê. Da mesma forma, para seus defensores,
o capitalismo feroz transforma-se num singelo "livre empreendimento" (2).
Essas seitas fazem exatamente o mesmo em suas abordagens de forma a conseguir
a aceitação de seus ensinamentos por parte daqueles que são alcançados por sua
mensagem. Desta maneira, as demais religiões são reunidas em designações depreciativas
que as designe: Os católicos são tratados por "papistas ou idólatras"; os adeptos
do candomblé ou espíritas, por "feiticeiros". A depender da linha protestante,
os estereótipos podem ser ainda mais abrangentes: "os pentecostais", os "neo-pentecostais",
os "renovados", os "conservadores" e etc. Mais interessante é o fato dessas
seitas estarem inclusas, em sua maioria, entre os últimos quatro grupos citados,
e ainda assim criarem substituições entre si.
A forma pejorativa visa, naturalmente, diminuir ou eliminar qualquer base de
respeitabilidade de tais denominações religiosas. Qualquer que não seja membro
da seita é chamado simplesmente de "mundano" e aqueles que abandonam a denominação
recebem o rótulo negativo de "apóstata". Similarmente, porém com sentido positivo,
os integrantes da seita são chamados constantemente de "cristãos", "ungidos",
"povo de Deus", "escolhidos", "rebanho", "crentes", "escravo fiel e discreto",
identificando-os com passagens bíblicas. Estes termos, que são definidos como
linguagem descritiva, provocam reações emocionais instantâneas, com julgamentos
positivos ou negativos, cada vez que as palavras ou frases são verbalizadas
ou lidas.
3. Seleção e Indução
Na técnica de "Seleção", o doutrinador seleciona cuidadosamente a informação
para que os pontos destacados estimulem os leitores ou ouvintes para as conclusões
que, espera-se, eles atinjam (2). Informações são cuidadosamente omitidas quando
são inúteis para influenciar a conclusão final, pois do "fiel" é esperado um
julgamento baseado única e exclusivamente nas indicações e dados fornecidos.
Freqüentemente, o "fiel" não tem conhecimento da existência de outras informações
que possam contradizer a conclusão que dele se espera. A seleção cuidadosa das
evidências limita a possibilidade do leitor questionar as afirmações e conclusões
do doutrinador, isto é deliberadamente planejado para evitar ou desestimular
raciocínios pessoais e avaliações independentes (2).
Similar a esta é a técnica de "indução". Indução é uma forma de argumentação
onde toda a evidência (verdadeira ou falsa) é simbolicamente empilhada, em ordem,
de modo que sejam lidas ou ditas uma a uma, em seqüência, fazendo com que no
final a única conclusão, possível, seja aquela que o doutrinador quer ver aceita.
É freqüente nesta técnica a comparação das idéias do doutrinador com as idéias
dos opositores, porém é feita de tal maneira que o ponto de vista do primeiro
parece ser sempre a idéia correta.
Não raro ao sermos abordados por um membro de uma seita, o mesmo utiliza desse
recurso (mesmo que inconscientemente, já que sua formação nele se baseou), habitualmente
faz perguntas fechadas, por sinal, perguntam muito e respondem muito pouco,
e tentam conduzir as conclusões do interlocutor aos seus objetivos. Por exemplo:
- Você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus? – pergunta o adepto
da seita.
- Sim, claro que creio – responde o católico desinformado.
- Bem, se você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus, logo, você
crê que tudo o que esteja fora dela não vem de Deus.
- Sim, parece lógico. – responde o católico desinformado.
- Então a veneração aos santos, a existência de um purgatório, os pronunciamentos
de seus padres e bispos são anti-bíblicos e, por conseguinte, contrários a Deus.
– vaticina o adepto da seita.
- É né... Parece que é isso mesmo. – responde o católico que jamais leu o catecismo,
desconhece os pilares da sua própria doutrina, nada sabe da Bíblia e foi fisgado
por uma argumentação "indutiva" das mais fajutas.
As literaturas e pregações dessas seitas são altamente seletivas no material
apresentado aos seus adeptos. Muitas informações a respeito da Igreja Católica,
mesmo de caráter histórico como o período da inquisição e as cruzadas, ou a
respeito de erros e crimes cometidos por prelados católicos, ou mesmo por fiéis
católicos, são descritas de forma a conduzir os adeptos dessas seitas a concluir
que a Igreja é má, e, por conseguinte, "do mal" provém o seu ensinamento, que
pelo comportamento de seus sacerdotes e leigos se pode inferir a dignidade do
catolicismo. Não especificações, mas generalizações, não há contexto, mas pretexto
em tudo o que se transmita.
Uma pessoa desinformada, bombardeada por esta saraivada de informações e evidências
apresentadas por essas seitas, provavelmente concordará com o ponto de vista
das mesmas. Contudo, assim como em toda informação prestada por essas seitas,
existe sempre um outro lado que está ausente, que não foi apresentado ou foi
apresentado fora do contexto, deslocado do objetivo original, mutilado e editado.
O destinatário da mensagem dessa seita é induzido a concluir que a opinião dela
(da seita) é a única solução viável. De uma coisa é preciso estar bem ciente:
a seita e seus doutrinadores usarão somente informações - mesmo sendo questionada
no contexto original - que apontem na direção de suas conclusões e ignorará
ou desconsiderará qualquer outra informação que possa levar alguém a uma outra
conclusão diferente.
4. Distorções e Falsidade
A falsidade é um método comumente usado pelos doutrinadores (2). Fabricando,
torcendo, esticando ou omitindo evidências utilizadas na doutrinação obtendo
resultados eficazes. Histórias falsas de atrocidades têm sido usadas nas Cruzadas,
na inquisição e em todos os períodos negros da história da Igreja, isso sem
considerar que os fatos reais ocorridos nesses períodos falam por si. Mas, é
necessário para essas seitas dramatizar situações, ressaltar ou inventar fatos
tendo em vista a despertar a ira e o desprezo de seus adeptos pela Igreja Católica
e seus fiéis, e isso tem sido feito com grande eficácia. Exemplo:
'A 500 anos atrás o Papa mandou 'matar' Galileu só porque ele disse que a terra
é redonda. A 2.700 anos atrás a Bíblia já dizia que a terra é redonda (Isaías
40:22)'.
Fonte: Do livro "Será Mesmo Cristão o Catolicismo Romano?" - Hough P. Jeter.
Estas frases contêm várias imprecisões, próprias de quem fala sem saber ao certo
ao que diz:
- Galileu faleceu em 1642, portanto há pouco mais de 350 anos - e não há 500
anos; faleceu de morte natural, não foi assassinado a mando de nenhum papa.
Foi perseguido pela inquisição? Sim foi, mas por defender o heliocentrismo -
o sol como centro do universo - e não que a terra era redonda. E Isaías (Is
40'55) profetizou durante o exílio (587'538 aC), ou seja, há 2.500 anos aproximadamente;
ao falar do 'ciclo da terra', não se pode dizer que tinha em vista a esfericidade
da terra, já que ciclo refere-se a conjunto de tudo o que havia no mundo conhecido,
e não necessariamente a forma arredondada do globo.
Ou seja, quem vier a ler esse texto tomará uma mentira por uma verdade, pior,
o autor cita fontes em seu livro, entre elas, documentos da própria Igreja Católica
que não cita em nenhuma de suas linhas qualquer referência à mentira descrita.
Ou seja, não há a intenção de informar, mas confundir.
Em suma, não há limite ético ou moral nesse recurso, deseja-se apenas que o
membro da seita acredite na mentira que lhe é passada, afinal, não dispondo
de informações que contradigam os argumentos da seita, fatalmente o adepto não
discutirá as fontes e nem a procedência da informação, principalmente quando
vê citadas tantas fontes aparentemente fidedignas como enciclopédias e documentos
da própria Igreja Católica. Ademais, qualquer mínima contestação coloca o adepto
e não a seita sob suspeição, o adepto passará a ser visto como uma "ovelha negra"
no meio do rebanho, e passará a ser coagido e vigiado de todas as formas. O
objetivo final não é passar uma informação, mas desenvolver no adepto uma atitude
hostil frente à Igreja Católica e seus fiéis, se o caminho para isso é lícito
ou não, pelo exemplo acima é bastante fácil chegar a uma conclusão.
É interessante lembrar que todos os documentos da Igreja Católica estão disponíveis
ao grande público, é possível consulta-los na Internet ou adquiri-los em qualquer
livraria católica ou leiga. E que a Igreja não proíbe seus fiéis de ler textos
históricos a respeito da própria Igreja, pouca gente sabe que, o que foi conservado
acerca das cruzadas ou da inquisição, ou mesmo dos antipapas, o foi pela própria
Igreja, muitos de nossos mosteiros ainda conservam esses documentos e os coloca
á disposição de quem se interesse em lê-los. Ou seja, nem mesmo a própria Igreja
teme seu passado, pelo contrário, o coloca à vista de todos, para que os erros
do passado não voltem a ser cometidos. E para que ninguém afirme o que jamais
aconteceu, mas mesmo isso não é suficiente aos seus opositores.
5. Repetição
O doutrinador usa a repetição para gravar a mensagem nas mentes da audiência.
Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Adolf Hitler, sustentava: "Se uma
mentira for repetida mil vezes, sempre com convicção, tornar-se-á uma verdade".
Portanto, se uma palavra ou frase for usada repetidas vezes, depois de algum
tempo será aceita, tendo significado verdadeiro ou não (2).
As seitas usam muito esta técnica e repetem exaustivamente muitas palavras,
e tais palavras ganham a conotação mental de um estigma. Ao referir-se a católicos
dizem exaustivamente palavras como "idólatras", "papistas" ou ainda "romanistas".
A mais recentemente utilizada com amplitude é "mariólatras" ou "adoradores de
Maria". A utilização repetitiva desses termos automaticamente remontam às substituições
de nomes que tratamos neste artigo, provocam a imediata associação de tais termos
a negatividades, a coisas que devem ser combatidas, coisas que devem ser evitadas
ou subjugadas.
Por outro lado, utilizam da mesma técnica quando desejam atribuir a si próprios
uma conotação diferente quando se referem ao universo de religiões. Habitualmente
chamam a si próprios de "cristãos" numa referência exclusivista, ou ainda atribuem
à palavra "irmão" apenas àqueles que compartilham de seu credo, colocando inclusive
laços consangüíneos apartados dessa definição. Atribuem a todos os demais seres
humanos da terra a definição "do mundo", como se estivessem à parte do necessário
bom convívio humano. Enfim, repetem, repetem e repetem, até que essas palavras
repetidas ganhem uma conotação automática. Os adeptos não são apenas doutrinados
com a repetição de palavras, mas com o uso repetido das mesmas associadas ao
estigma aplicado a elas, ora positivo, ora negativo.
6. Escolha de um Inimigo
O doutrinador terá sempre um inimigo. A mensagem "não é somente PARA algo mas
também CONTRA algo, um inimigo real ou imaginário que tenta frustrar a suposta
vontade de sua audiência" (2). Dois efeitos são observados: 1. A agressividade
é direcionada para outros e não para as causas defendidas pelo doutrinador;
2. Ajuda consolidar a lealdade dos que estão dentro do grupo. O doutrinador
descreve com imagens estereotipadas e diabólicas o inimigo identificado. Quanto
mais forte o inimigo, mais forte será a unificação do grupo à causa, uma unificação
que é baseada no medo e no ódio.
As seitas, em geral, sempre foram bem sucedidas em criar imagens temíveis de
inimigos maléficos para incutir medo e suspeita nos seus adeptos. Instilou também
a imagem de que Deus protege aqueles que mantêm a obediência dentro da organização
e os que estão fora dela serão fatalmente destruídos por Deus. Toda e qualquer
crítica dirigida à seita, ou mesmo ao que ela acredita, será maximizado como
uma perseguição declarada, e como crêem ser os únicos detentores da verdade,
essa imaginária perseguição afeta diretamente o estabelecimento do Reino de
Deus, e todos os seus adeptos têm por obrigação assumir a defesa desse "reino"
personificado nessa seita. Ou seja, a seita será sempre uma vítima e todos os
demais são inimigos em potencial quando se contrapõem a ela.
Da mesma forma, eleger um inimigo facilita bastante as coisas. É com base nesse
inimigo que a doutrinação encontrará seu ápice. Não são poucas as denominações
religiosas que fazem da Igreja Católica o centro de sua existência. "Se há algo
a combater, vamos combater aquela a quem todas as outras seitas combatem", pensa
o doutrinador. Esse é o único pensamento no qual há consenso entre as diversas
seitas existentes. Se há algo a comparar negativamente, compara-se com a Igreja
Católica. Se houve uma reforma nas instalações do templo, o doutrinador dirá:
"Vejam como ficou belo o nosso templo... e sem precisar de qualquer imagem".
Se houvesse a mínima possibilidade da Igreja Católica sucumbir, certamente que
futuro dessas seitas seria muito curto.
7. A Doutrina do Medo
Por fim, temos o mais terrível estágio da doutrinação: o medo que a própria
seita infunde no indivíduo, e que tem graves desdobramentos e, não raro, conduz
a graves danos psicológicos e morais.
O adepto é conduzido a ter medo da própria seita, não de forma direta, mas através
de vários conceitos que lhe são impostos. A seita, a todo o tempo, se ocupa
de manter sob seu controle os membros já conquistados. Para isso, utiliza de
todos os recursos de persuasão antes citados, mas aplica-os de forma perspicaz
entre seus adeptos.
Não raro, vários membros dessas seitas são conduzidos a ver naqueles que não
professam a sua crença um oponente. Pouco importando se esse oponente imaginário
seja alguém de seu convívio mais próximo ou um parente que não comungue da mesma
crença. Famílias são destruídas por conta dessa linha doutrinária, casamentos
são desfeitos, filhos são abandonados, relações estáveis de amizade são rompidas.
A seita incutiu no adepto a noção de que ele faz parte da "luz", é um "filho
da luz" pelo fato de integrar a seita, e todos os demais são "trevas", e a luz
não se deve misturar com as trevas. Incute, ainda, outro temor que impede o
livre pensar do adepto: o de que ele - o adepto - caso se desligue da seita
passará a fazer parte desse reino de trevas. Muitas vezes o adepto sente-se
motivado a abandonar a seita, mas permanece fiel por medo de ver-se segregado
pelos amigos e parentes.
Um outro aspecto da doutrina do medo se reflete nos graves danos psicológicos
provocados naqueles que se desligam da seita. Perdem o convívio dos amigos e
da família, perdem suas casas, sua identidade social, muitas vezes perdem seus
empregos ou oportunidades de trabalho, além de não mais conseguirem se ajustar
socialmente a qualquer outro grupo.
Não raro, sentimentos de culpa passam a permear a vida do ex-adepto, ele passa
a sentir-se culpado pela ruptura familiar, tem sobre si a impressão de falência
existencial. Tudo isso somado ao pior dos frutos: o ceticismo. A religião e
a fé se tornaram fonte de sofrimento, ou seja, a seita que não escraviza; indiferentiza.
Cria um ser humano onde a fé, antes fecunda, se verteu em indiferentismo e ceticismo.
Isso é facilmente explicável: o deus de uma seita, é ela mesma.
Este artigo é baseado em "A Study of the Persuation Techniques Used by Jehovah’s
Witnesses and the Watchtower" de NATHAN CHARLES BEEL (http://users.uniserve.com/~renford/persuade.htm
ou Persuation Techniques (arquivo local)).
(1) Myers, D.G. Exploring Psychology Third Edition (New York, NY: Worth Publishers,
1996)
(2) Brown, J.A.C. Techniques of Persuasion: From Propaganda to Brainwashing
(Middlesex, UK: Penguin Books, 1963)