Leandro Salvador

Origem: Internet, a rede (ainda) livre.

Leandro Salvador (São Paulo, 23 de abril de 1982) é um usuário assíduo e colaborador eventual da Wikipédia lusófona, compartilha suas descobertas na Internet por meio da rede de social bookmarks delicious, e alimenta o blog Igualdade de Imprensa com textos que considera interessantes.

Não participa de redes sociais virtuais, nem é um grande fã de mensageiros instantâneos, mas nos raros momentos em que fica online, pode ser conectado por meio do seu endereço de correio eletrônico leandrosalvador@gmail.com tanto pelo Google Talk quanto pelo MSN, além do clássico ICQ 39405020. O modo mais eficaz de entrar em contato com ele é o mais simples: enviar-lhe um e-mail.

Índice

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Currículo acadêmico

Leandro Salvador possui especialização em Administração Pública pela Escola Superior de Gestão e Contas Públicas Conselheiro Eurípides Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (interrompida em 2009), mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008), extensão universitária em Formação de Governantes pela Escola de Governo de São Paulo (2006), graduação em Ciência da Computação pelas Faculdades Tancredo Neves (2005) e formação técnica em Telecomunicações pela Escola SENAI Roberto Simonsen (2003).

Administração pública

Na especialização em Administração Pública pela Escola Superior de Gestão e Contas Públicas Conselheiro Eurípides Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, contou com a amizade e orientação do Prof. Abrão Blumen, e conviveu com professores e colegas cujas palestras, via de regra, foram muito enriquecedoras, e contaram com apresentações cuidadosamente elaboradas que futuramente estarão disponíveis aqui.

As disciplinas deste curso foram divididas em três módulos, sendo as mais interessantes aquelas destacadas em negrito: Módulo Básico (Didática do Ensino Superior, Metodologia Científica e Orientação para Monografia), Módulo Administração (Gestão de Competências, Gestão dos Recursos na Área Pública, Gestão pela Qualidade, Ética na Administração Pública) e Módulo Específico (Administração Financeira e Orçamentária, Análise Econômico-Financeira das Empresas no Processo Licitatório, Contratações com a Administração Pública, Controladoria Estratégica, Crimes contra a Administração Pública, Engenharia no Setor Público: Obras e Serviços de Engenharia, Lei de Responsabilidade Fiscal, Mapeamento de Processos e Indicadores de Desempenho).

Comunicação e Semiótica

No mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foi orientado pelo Prof. Dr. Norval Baitello Júnior, e sua dissertação é entitulada Crise aérea e comunicação: o acidente do vôo 3054 da TAM à sombra da mídia. Esta pesquisa buscou compreender de que modo a mídia é capaz de distorcer, amplificar, minimizar ou criar e ocultar realidades, segundo a linha editorial adotada pelo veículo, embora frequentemente de forma não assumida. Partiu do pressuposto de que existe uma relação entre o Estado, o mercado e a mídia como instituições que detêm poder sobre a sociedade, e de que a mídia corporativa, enquanto conjunto de empresas, apresenta-se duplamente alinhada ao mercado: seja pelos fins lucrativos que têm em comum a qualquer outra corporação tipicamente capitalista, seja por servir como representante de interesses ocultados, tipicamente ideológicos. Nos dois últimos capítulos (Mídia e cultura / Mídia e ideologia) procurou investigar de que modo alguns métodos que são adequados (especificamente) à análise de fenômenos naturais físicos e biológicos, ao serem aplicados no jornalismo, acabam por esconder as causas essenciais daquilo que é investigado, bem como de possíveis interesses (e conflitos de interesses) em jogo. Nos dois primeiros capítulos (A crise aérea à luz da mídia / O acidente da TAM à sombra da mídia) procurou analisar a cobertura midiática sobre o desenvolvimento da crise aérea até o acidente do Voo 3054 da TAM e, a partir daí, focou-se sobre três fatos que, da maneira como foram cobertos pela grande mídia, não puderam ser claramente compreendidos ou interpretados pelo público em geral: Episódio I: o seguro de US$ 1,5 bilhão / Episódio II: os desaparecimentos da "caixa-preta" / Episódio III: a norma que não era norma.

Durante o mestrado registrou eletronicamente suas anotações pessoais de praticamente todas as disciplinas que cursou e eventos de que participou, num formato esquemático muito semelhante a um mapa mental, que talvez possam ser úteis a alguém interessado pelos respectivos conteúdos, pois apresentam interessantes conexões e desenvolvimentos de conceitos e de idéias, ainda que de forma bastante simplificada. A dissertação propriamente dita foi desenvolvida em LaTeX com as macros abnTeX, e os arquivos-fonte estão disponíveis.

Os dois principais artigos que produziu durante o mestrado foram:

SALVADOR, Leandro P. . Gula e Sustentabilidade: a doutrina da tecnociência versus a preservação da espécie humana. In: IX Seminário Internacional da Comunicação: simulacros e (dis)simulações na sociedade hiperespetacular, 2007, Porto Alegre. Textos completos - GT Comunicação e Cultura, 2007.

SALVADOR, Leandro P. . A Detonação de Imagens de Figuras Públicas Políticas: os jogos de informação por trás do discurso de isenção da grande mídia. In: Congresso Anual da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação e Política, 2006, Salvador. GT2 Imagem Pública Política, 2006.

Formação de governantes

Na especialização em Formação de Governantes pela Escola de Governo de São Paulo, teve contato com o pensamento crítico de intelectuais como Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides e Claudineu de Melo, os quais desenvolvem idéias principalmente sobre o statu quo, com foco em problemas graves vividos pela república e pela democracia brasileiras. Fez parte do grupo que apresentou o trabalho final entitulado Participação Popular em Guaianases: uma proposta de articulação dos Conselhos Municipais.

Ciência da computação

Na graduação em Ciência da Computação pelas Faculdades Tancredo Neves, desenvolveu diversos softwares e registrou eletronicamente boa parte do conteúdo das disciplinas que cursou. Durante toda a graduação contou com a amizade e orientação do Prof. Francisco A. S. Grossi. No trabalho de conclusão de curso contou com a amizade e orientação do Prof. Luis Alves Ferreira Filho e do Prof. Marcelo Dias, num projeto entitulado "XML Metar: um sistema de distribuição de informações meteorológicas de superfície", o qual resultou num software, desenvolvido na linguagem de programação orientada a objetos Java, cujos direitos autorais pertencem-lhe e, portanto, está licenciado como software livre sob a GNU General Public License (GPL). O trabalho escrito propriamente dito foi desenvolvido em LaTeX com as macros abnTeX, e os arquivos-fonte estão disponíveis.

Telecomunicações

No curso técnico-profissionalizante em Telecomunicações pela Escola SENAI Roberto Simonsen, desenvolveu como projeto de conclusão de curso um decodificador de tons telefônicos, o DTMF Decoder, que pode ser considerado uma versão muito mais simples dos identificadores de chamada (BINAs) comercializados atualmente. Apesar da não exigência de apresentação de um trabalho escrito, registrou eletronicamente tanto a pesquisa que fez sobre o assunto, como os procedimentos necessários para que outro hardware semelhante possa ser desenvolvido. Infelizmente, por exigências da diretoria da Escola à época, os diversos relatórios desenvolvidos pelos alunos eram necessariamente elaborados à mão, com caneta de tinta azul, em papel quadriculado e sob algumas regras mecanicistas razoavelmente compreensíveis para uma Escola cujo objetivo era formar técnicos disciplinados, obedientes, resilientes e pouco questionadores, mas um dos ônus deste processo de aprendizagem foi que diversos relatórios, alguns deles muito interessantes, não poderão ser compartilhados eletronicamente.

Visão de Mundo

Terra enjaulada.

Leandro Salvador identifica-se fortemente com a idéia de liberdade qualificada como autonomia e independência do ser humano, ou seja, enquanto ausência de dominação, de submissão, de servidão, de determinação, de fatalismo e de causalidade reducionista (redução de todos os fenômenos do universo, por exemplo, à física, à química, à biologia ou à metafísica; ou de todos os fenômenos humanos à natureza). Neste sentido, acredita que um mundo melhor depende da capacidade de seus ocupantes em estabelecer e sustentar níveis mínimos aceitáveis de civilidade, ou seja, de liberdade (intelectual, social e econômica), de igualdade (formal e material) e de dignidade da pessoa humana, além de valorizar mais a colaboração do que a competição.

Como contraponto, não acredita no darwinismo social e, por não considerar ética a aplicação da lei da natureza (sobrevivência do mais forte) nem a manutenção de um estado de natureza selvagem na sociedade humana, defende a existência de um pacto social capaz de conter os esforços de dominação tanto de indivíduos (pessoas físicas), quanto de quaisquer instituições (pessoas jurídicas), sejam Estados autoritários ou totalitários, ou corporações privadas capitalistas numa economia de livre mercado globalizada.

Slogan ufanista "Brasil, ame-o ou deixe-o", muito usado durante a ditadura militar no Brasil.

Considera ingênuo e tóxico o sentimento de orgulho por algo, seja lá o que for, que não carregue em si alguma virtude conquistada por esforço próprio. Concorda com a idéia de que a solidariedade entre indivíduos de um mesmo grupo ou espécie é tão importante para a sobrevivência quanto a competição entre grupos e espécies, e considera os seres humanos membros do mesmo grupo e espécie, independentemente das divisões que alguns seres humanos inflingiram a todos. Percebe como ingênuo e tóxico o orgulho de pertencimento a quaisquer divisões humanas vazias de virtude, civilidade e paz, e grandes fontes de preconceito. Exemplos disso são as divisões políticas, que podem resultar em patriotismo, nacionalismo, bairrismo, chauvinismo, jingoísmo e ufanismo; e as divisões baseadas em variações genéticas ou culturais, fenotípicas ou genotípicas, que podem resultar em xenofobia, racismo, sexismo, discriminação etária e intolerância religiosa.

Ideologia

Apesar do uso indiscriminado do termo ideologia segundo uma concepção neutra que o transforma em sinônimo do termo ideário (coletânea de idéias), prefere utilizá-lo e, sempre que possível, difundi-lo, segundo a concepção crítica, pois esta carrega em sua essência uma contestação explícita a relações de dominação, algo que não ocorre (nem sequer implicitamente) quando o termo ideologia é utilizado como coletânea de idéias (ideário) ou como visão de mundo:

Ideologia são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.” (Thompson, 2007):

Software Livre e Governo Aberto

Concorda integralmente com a Lei de Linus, segundo a qual “dados olhos suficientes, todos os erros são triviais” ou, colocada de outra forma: “quanto mais olhos vêem algo, mais provável é que alguém veja alguma coisa que ninguém viu antes”. Acredita que organizações públicas governamentais deveriam, por princípio, utilizar única e exclusivamente softwares livres, e que absolutamente todos os dados e informações produzidos nestas organizações deveriam ser, necessariamente e por princípio, livres. Por coerência a esta visão de mundo, rejeita completamente o pressuposto inverso que vincula segurança a segredo, ou segurança por obscuridade (security through obscurity), em tudo que possa dizer respeito a organizações públicas governamentais.

Identifica-se com a filosofia política da Open Source Governance, a qual defende a aplicação das filosofias dos movimentos Open Source e Open Content a princípios democráticos, com o objetivo de permitir que qualquer cidadão interessado possa contribuir efetivamente na criação de políticas públicas e de leis. Neste sentido, acredita que práticas verdadeiras de Open Government, e-Government, Data.gov e Semantic Web são condição necessária para qualquer governo e sociedade que aspirem algum dia tornar-se, de fato, republicanos e democráticos. Considerando-se que a sociedade contemporânea é muito mais populosa do que aquela onde forjou-se a democracia, e que seria impraticável reunir toda a população para praticar democracia direta ao estilo da ágora grega, a Internet, enquanto rede livre, poderia servir nos tempos atuais como o espaço de debates e deliberações de uma democracia direta. Desta forma, a cansada e via de regra mal ocupada democracia representativa poderia retirar-se daqueles espaços onde ela não é mais, de fato, necessária.

Política e Economia

Gráfico proposto pelo The Political Compass, o qual varia de -10 a +10 tanto no eixo horizontal (Econômico) como no vertical (Social).

Concorda com a idéia proposta pelo The Political Compass de que as antigas categorias políticas unidimensionais de "esquerda" e "direita" são excessivamente simplistas para compreender-se a complexa paisagem política dos tempos atuais, essencialmente porque esta é uma linha econômica que desconsidera a dimensão social do espectro político. A teoria que fundamenta o compasso político parte do princípio de que as visões políticas podem ser melhor mensuradas relacionando-se dois eixos separados e independentes. O eixo Econômico (esquerda-direita) mensura a visão sobre como a economia deveria funcionar: "esquerda" é definida como a visão de que a economia deveria funcionar por uma ação cooperativa-coletiva (a qual pode significar o Estado, mas pode também significar uma rede de comunas), enquanto "direita" é definida como a visão de que a economia deveria ser deixada para instrumentos de competição entre indivíduos e organizações. O eixo Social (libertário-autoritário) mensura a visão numa dimensão social, com referência a uma visão sobre o montante apropriado de liberdade individual: o "libertarianismo" é definido como a opinião de que a liberdade individual deveria ser maximizada, enquanto o "autoritarismo" é definido como a opinião de que a autoridade e a tradição deveriam ser obedecidos.

Exemplos de líderes políticos conhecidos internacionalmente.

A partir desta perspectiva identifica-se, na dimensão econômica, com valores e idéias de "esquerda" e, na dimensão social, com valores e idéias "libertários". Isso significa dizer, em outras palavras, que ele considera necessário algum tipo de organização social institucionalizada, e que considera ingênuas quaisquer crenças que defendam a possibilidade de convivência harmoniosa e altruística entre pessoas físicas (anarquismo) e/ou jurídicas (anarcocapitalismo), sem a existência de regras e de instituições capazes de garantir que a liberdade de um termine onde começa a do outro. De qualquer forma, não tem uma visão idealista ou utópica de que a Lei ou o Estado sejam capazes de, per se, estabelecer e sustentar níveis mínimos aceitáveis de civilidade. De fato, considera que a Lei e o Estado não passam de ferramentas e que, neste sentido, têm potencial para ser utilizados tanto como meios éticos (ética entendida aqui como "o que é bom para o indivíduo e para a sociedade"), quanto como meios anti-éticos (anti-ética entendida aqui como "o que é bom para um indivíduo ou para um grupo, mas não para a sociedade).

Acredita que o modelo de governo teoricamente instituído na maioria dos Estados contemporâneos, baseado nos conceitos de República e de Democracia, é o melhor que os povos viventes no atual mundo globalizado conseguiram estabelecer (pelo menos até agora). Em sua opinião, a maioria dos países e, em especial, o Brasil, estão longe de ser Repúblicas e Democracias de fato, e tais substantivos são largamente empregados de modo tão persistente, acrítico e abstrato, que acabam por confundir a situação atual em que de fato nos encontramos, com uma situação futura desejada, como se já estivéssemos nela. Dadas as condições históricas materiais em que a humanidade encontra-se atualmente, acredita que instituir Estados de fato republicanos, democráticos e com capacidade de realização, é condição necessária (ainda que não suficiente) para todos os povos que pretendem estabelecer e sustentar níveis mínimos aceitáveis de civilidade.

Está de acordo com a idéia de que o uso de conceitos, desacompanhados de explicações adequadas sobre o que se pretende dizer com os mesmos, abre infinitas possibilidades para seu uso ideológico (ideologia entendida aqui pela concepção crítica como as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação). Exemplos práticos disso são frequentes nos discursos de políticos, muitos dos quais não seguem quaisquer princípios verdadeiramente republicanos e/ou democráticos em suas condutas públicas, mas hasteam a todo tempo os valores e interesses deles próprios, ou daqueles que eles representam de fato, como se fossem os do povo (que eles representam apenas em tese).

Gostaria de sentir indiferença, mas na verdade sente um profundo desprezo por dirigentes públicos que praticam um estilo de gestão baseado em suas próprias idéias e concepções de mundo, pois geralmente eles não são tão geniais quanto acreditam ser, e possuem egos tão gigantescos quanto impossíveis de ser contidos. Estas características levam a uma combinação tão tóxica quanto explosiva: poder; idéias toscas, cosméticas, egoístas, de curto prazo e não submetidas a quaisquer provas de integridade, viabilidade, pertinência, aderência à realidade e relevância; insuficiente senso crítico; crença de que são muito mais potentes e sabidos do que de fato são. Este tipo de governante, que se permite desafiar a realidade concreta utilizando o dinheiro e o interesse públicos como seus laboratórios egocêntricos, pode tanto ser um estúpido bem intencionado, quanto um patrimonialista genial (ou, ainda, a combinação mais comum: um patrimonialista estúpido que se considera genial). O único antídoto talvez eficaz contra este estilo de gestão depende da instalação de instrumentos de controle democráticos sobre as ações dos governantes. Até lá, as potencialidades que um Estado republicano pode (e deve) desenvolver para cumprir sua missão de universalizar níveis mínimos aceitáveis de civilidade, estarão longe de efetivarem-se concretamente (a não ser que, na prática, sua missão seja outra, como preservar o statu quo, ou auto-sabotar o próprio Estado que governa, com o fim de que suas populações não se organizem, por exemplo).

Na prática: Ordem reduzida a manutenção do statu quo e Progresso reduzido a crescimento do PIB.

Acredita que os povos e governantes que pretendem de fato construir Estados republicanos e democráticos ainda têm muito a amadurecer tanto na compreensão dos conceitos e valores que fundamentam o pacto social (ou seja, os "fins", ou aquilo que esperamos alcançar como resultado de nossas ações enquanto sociedade e civilização), quanto na capacidade de realização dos governos (ou seja, os "meios", ou o modo pelo qual esperamos atingir nossos objetivos coletivos). No que se refere aos "fins", acredita que o lema positivista Ordem e Progresso, tal como tem sido defendido e praticado pela civilização contemporânea (e não apenas pelo Brasil, que o carrega em sua própria bandeira), reduz a idéia de Ordem a manutenção do statu quo, ou seja, de todas as relações de dominação que tentam legitimar e naturalizar as injustiças e assimetrias sócio-históricas, e que usam a Lei, o Estado e a mídia como instrumentos para estabelecer e sustentar seus próprios interesses; e reduz a idéia de Progresso às dimensões material e econômica, independentemente das externalidades dele resultantes, e transforma em missão nacional o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) (o qual, ao contrário do Produto Nacional Bruto (PNB), desconsidera a Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE)). Em sua opinião, estes "fins" nada têm a ver com valores republicanos e democráticos, nem sequer com a intenção de estabelecer e sustentar níveis mínimos aceitáveis de civilidade que, a seu ver, deveriam orientar os indivíduos, a sociedade e seus governantes. No que se refere aos "meios", acredita na urgência de estabelecer-se todas as reformas necessárias para viabilizar: aos governos, governabilidade e capacidade de planejamento e de gestão; e aos povos, governos republicanos e democráticos stricto sensu.

Prefere as reformas às revoluções drásticas e violentas, apesar de ainda não ter testemunhado nenhuma destas duas formas de mudança possíveis desde que se conheçe por gente. Acredita que transformações não-violentas são, por definição, mais profundas, perenes, estáveis e éticas do que as violentas, mas considera inaceitável contemplar-se passivamente qualquer forma de dominação, seja simbólica (ideológica) ou material (violenta); seja estabelecida e sustentada por agentes internos (ditadura) ou externos (guerra) ao país; seja alegando defender o fim que for, por mais digno que porventura possa ser. Além disso, e apesar de compreender que a Lei e o Estado podem ser utilizados como instrumentos para estabelecer e sustentar relações de dominação, prefere viver num Estado Democrático de Direito, pois entende que "lugar onde infringem a Lei sempre que há alguma situação de perigo" é uma definição precisa para ditadura.

Religião

A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada.

Considera uma agressão à liberdade intelectual, tão grave quanto a violência psicológica doméstica, obrigar crianças a cultivar a necessidade de acreditar que tudo tem alguma explicação inequívoca, ou que existe alguma verdade absoluta, sem ensiná-las que a maior parte daquilo que pode ser conhecido limita-se ao universo do impossível e do possível, variando entre as diversas faixas do provável; e que o mundo da certeza absoluta e incontestável não passa de crença ingênua, sem qualquer referência nem com o verdadeiro, nem com o falso. Acredita que o ser humano não é muito mais do que aglomerado de poeira cósmica, e que dada a insignificância de nossa existência diante da magnitude do universo, é muito improvável (apesar de não ser impossível) que haja de fato alguma divindade criada à nossa imagem e semelhança. Apesar disso, considera culturalmente muito interessante o estudo das mitologias, inclusive da mitologia cristã, apesar de considerar muito mais ricas e interessantes as mitologias politeístas, especialmente a egípcia, a grega e a nórdica.

Em relação a isso lamenta que a maior parte de nossos contemporâneos sigam alguma religião abraâmica, pelo fato de elas serem antropocêntricas e quase completamente alienadas em relação à natureza. Não é à toa que o espírito dos nossos tempos seja orientado por um egocentrismo, convertido em Virtude pelo atual sistema hegemônico que, em última instância, estabelece e sustenta a dominação, como se fosse legítima per se, dos desejos individuais (egoístas) sobre as necessidades coletivas: trata-se de pura ideologia.

Zodíaco: Sol ao centro das 12 estações.
O símbolo do peixe, recorrente no início da iconografia cristã. O termo "peixe" em grego (ichthýs) é o acrônimo de (Iesoùs Christòs Theoù Yiòs Sotèr), Jesus Cristo Filho de Deus Salvador.

Se fosse para idolatrar algo, certamente seriam os quatro elementos da natureza: água, terra, ar e fogo (Sol), dos quais depende a sobrevivência da espécie humana (e de todas as outras também). Neste sentido, considera uma grave limitação o fato de a mitologia cristã (fortemente derivada, ainda que a quase totalidade dos cristãos desconheça, da mitologia egípcia) ser predominantemente baseada na idéia de um "Deus Sol" antropomórfico, e praticamente ignorar a importância dos outros três elementos em sua narrativa, além de ocultarem completamente a metamorfose cultural que deslocou a adoração ao Sol para a de Hórus e, posteriormente, de Jesus. Apesar de compreender historicamente este ocultamento, ao partir do princípio de que "só a verdade liberta", considera-no inaceitável.

Última Ceia: Jesus ao centro dos 12 apóstolos.

Considera igualmente limitante o fato de a iconografia do peixe cristão não ser compreendida pelos seguidores como um desdobramento da Era de Peixes astrológica, a qual está completamente vinculada com a mecânica celeste do movimento terrestre de precessão dos equinócios, e independe de qualquer ou tabu em axiomas de origem sobrenatural ou metafísica. Considera incrível a capacidade que grande parte dos seres humanos tem de acreditar em mitos e lendas como se fossem muito mais do que sinceras e bem intencionadas tentativas de explicar a realidade por meio de narrativas fantasiosas. Há considerações interessantes sobre assuntos deste tipo em documentários como Zeitgeist e Religulous, e uma boa fonte de liberdade intelectual pode ser adquirida por meio do estudo das falácias, cuja lista mais completa disponível atualmente é o Guia de Falácias Lógicas do Stephen: leitura indispensável para todo aquele que nutre alguma crença religiosa, seria um excelente prólogo para qualquer Bíblia.

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